segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Copa do Cabo - África do Sul 2010 - Parte 6 - Congestionamentos

Antes de mostrar os congestionamentos durante a copa na Cidade do Cabo é preciso entender que esse problema recorrente em varias cidades por todo o mundo é uma questão de ciência.
  1. “Dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo” Impenetrabilidade - Newton;
  2. Um volume de objetos presentes em um determinado espaço com mesma capacidade se encontra saturado;
  3. Não existe como mais objetos ocuparem um espaço limitado já saturado;
  4. Recursos não renováveis são finitos
As afirmações são cientificas e aplicáveis em diversas situações. É preciso entender, então, que não há solução matemática para uma equação onde a capacidade é X, mas a necessidade de presença no espaço é X mais Mil ao mesmo tempo.
Congestionamento em São Paulo durante a copa 2010 em dia de jogo do Brasil
Durante a copa do mundo de 2010 na Cidade do Cabo o uso do carro era necessário em alguns trechos e optativo em outros. Necessários porque moradores de determinadas regiões eram “obrigados” a se deslocarem a regiões de bolsões de estacionamentos para pegarem o transporte coletivo até as áreas do estádio e festas. E optativo porque muitas áreas já eram servidas por conexões de transporte coletivo e na área central era possível o uso do BRT/IRT e deslocamento a pé (apenas um trecho pequeno era restrito a circulação de automóveis).
Visualização de Rede de transporte, PVA's e Bolsões de estacionamento para Park&Ride
A origem das viagens, divididas pelo sistema nacional férreo ou aeroporto, que parte dos torcedores chegavam nos dias de jogos, em sua totalidade exercia pressão sobre as rodovias e os sistemas de transportes. E os destinos tinham como pontos de atratividade as festas como a Fan Fest, os Public View Area (PVA – festas regionalizadas), o estádio, as regiões de bares e comemorações e as atrações turísticas fora dos dias de jogos.
Matriz de deslocamentos em dia de jogo na Cidade do Cabo
O primeiro trecho critico era a conexão entre aeroporto e a área central da cidade do cabo. O plano inicial era ter o BRT atendendo a área mas não foi finalizado a tempo, apenas uma conexão com ônibus e operação convencional. Com isso o volume de pessoas que tinham necessidade de sair da região era maior que a capacidade do sistema rodoviário de três faixas.

Congestionamento do aeroporto para cidade copa 2010
 Uma grande medida operacional inclusive que se tornou exigência FIFA era a realização de eventos regionais para que as populações afastadas da região do estádio ou Fan Fest FIFA tivessem a opção de permanecerem próximas de suas casas e não sobrecarregar ainda mais os sistemas viários e de transportes. Esses eventos chamados de Public View Area (PVA) cumpriram seu objetivo. Apesar disto a abertura atraiu muito mais espectadores do que previsto trazendo filas e congestionamentos na entrada destes PVA’s

PVA com fila na entrada e congestionamento no dia da abertura da copa na Cidade do Cabo
Para diminuir a pressão sobre as regiões, foram usados os Painéis de Mensagens Variaveis (PMV) para informar a população próximas para que área se deslocarem.
Painél de Mensagem Variável indicando área de PVA lotado e sugestão para população evitar a área

Apesar do grande êxito da Fan Walk o excesso de veículos na área central era grande, dificultando a operação de trânsito.

Operação de trânsito um dia antes da abertura na área central
Congestionamento um dia antes da abertura próximo da FanFest
Trânsito geral na Cidade do Cabo sentido centro no dia da abertura
Como foi falado no inicio não há como um corpo ocupar o mesmo espaço que outro no mesmo intervalo de tempo. A área que uma pessoa ocupava usando seu carro seria muito menor se o uso do ônibus ou BRT fosse recorrente.
Ônibus vazio no inicio da noite horas antes de Itália e Paraguai na Cidade do Cabo

Fora dos horários e dias de jogos apenas a hora pico tarde costumava causar maior problema na Cidade do Cabo pós abertura. Apenas em um dia de chuva (na manhã do jogo entre Italia e Paraguai) houveram congestionamentos onde as equipes operacionais tiveram que agir para tentar minimizar esses estrangulamentos.
Operação de transito em manhã chuvosa durante dia de copa do mundo na cidade do cabo
Porém, o grande desafio surge ao fim das partidas. O maior problema de deslocamento de mega eventos ocorre ao termino, quando torcedores que deixam o estádio se juntam aos provenientes de outros pontos da cidade para “continuarem a festa”.
Não há operação capaz de prover fluidez se todos saírem direto para seus carros e deslocarem para áreas de atração ao mesmo tempo, como atividade noturna por exemplo. Na Cidade do Cabo isto ocorreu após jogo da Inglaterra e Argélia na Long Street – Rua de vida noturna da Cidade do Cabo.

Visão da tela de monitoramento do JOC da Long Street ao término do jogo entre Inglaterra e Argélia

Além dos torcedores que saíam do estádio e buscavam seus carros nos estacionamentos (Park&Ride), outra multidão vinda da Fan Fest e originária de outros pontos da cidade se juntaram criando “gargalos” e “pontos de estrangulamento” por toda a região. As equipes operacionais tinham o diagnóstico e imagens do que ocorria mas a operação ficou centrada na parte de segurança não antecipando ou realocando as massas de veículos. O resultado, além da inconveniência para os próprios turistas e moradores locais, foi a incapacidade de deslocamento das equipes de emergência e a dificuldade de controle do risco, uma vez que a região atingiu rapidamente sua saturação com veículos se misturando aos pedestres.

E qual seria a solução ? Mudar a formula. Se a capacidade não pode/deve ser alterada (até porque esta solução tem recurso finito)  a pressão a ocupação viária deve diminuir.

Espaço que ocupa o carro
E será o que a nova série proporá, como aliviar de forma operacional parte dos congestionamentos.

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